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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Zelig um filme de woody Allen , o camaleão que existe em todos nós

A ideia de que usamos máscaras e que representamos papéis sociais não é novidade. Um

exemplo é a análise do sociólogo Erving Goffman no livro “A Representação do Eu Na

Vida Cotidiana”. Basicamente, o autor defende que a interação com outras pessoas é

influenciada pelo ambiente e pela audiência, como acontece com a performance de um

ator. Uma genial transposição deste conceito para o cinema está presente em “Zelig”

(1983), dirigido e roteirizado por Woody Allen.

Leonard Zelig (representado pelo diretor) é um homem que assume a forma de outras

pessoas quando na presença delas. É capaz de imediatamente se transformar em um gordo,

negro, judeu, grego, índio, nazista, entre outros. Para contar essa história, Woody

Allen propôs um artifício metalinguístico, uma ficção travestida de documentário. Uma

representação sobre a representação e para isso, recorreu ao formato mais clássico de

documental. Por meio de fotografias e da manipulação de imagens, cria passagens em que

este personagem não-real, aparece junto de Charle Chaplin, do então presidente

norte-americano, e até de Charles Foster Kane, o Cidadão Kane de Orson Welles. Porém,

o grande destaque é o recurso de entrevistas com intelectuais como Susan Sontag,

crítica e ensaista, Bruno Bettelheim, psicólogo, com o escritor Saul Bellow e outros,

oferecendo ainda mais credibilidade ao Zelig. Até mesmo a doutora Eudora Fletcher,

vivida por Mia Farrow, aparece, anos mais tarde e representada por outra atriz, dando

depoimento sobre suas lembranças. Forma-se uma realidade falseada com aparência de

verdadeira.

A criação deste personagem fantástico também permite ao cineasta novaiorquino discutir

como há uma exploração midiática de casos e eventos semelhantes. Zelig passou a ser

estudado por psicólogos e psiquiatras, virou capa de jornais e tornou-se uma

celebridade. Com a mesma velocidade, sofreu acusações e foi rejeitado pela imprensa e

pela sociedade. Zelig é a concretização do nosso tempo, da busca por uma identidade e

da construção dela própria a partir do outro. O motivo? Para se sentir mais seguro,

usando as palavras do próprio personagem. Ergin Goffman, citado no início, diz que

“(…) o papel que um indivíduo desempenha é talhado de acordo com os papéis

desempenhados pelos outros presentes e, ainda, esses outros também constituem a

platéia” (GOFFMAN, 1999). Zelig- que até no nome tem mais de uma personalidade, já que

lido de trás para frente, é Gilez- só não tomou a forma feminina. Detalhe que não é

pouca coisa, tendo em vista que, assim como Ingmar Bergman, Woody Allen, mais de uma

vez tratou da inquietude humana por meio da mulher, a exemplo de “A Outra” (1988).

“Zelig”, assim como outros filmes de Woody Allen, um exemplo é o recente “Tudo Pode

Dar Certo” (2009), faz uma crítica sobre o ser humano. É uma história localizada nos

anos 20 e 30, produzida nos anos 80 e que, assistida nos anos 2000, gera

reconhecimento e identificação. É atemporal, daí seu frescor e atualidade. Só um

roteirista e diretor consciente da, digamos, “miséria humana” seria capaz de

transferir para o cinema um conflito psicológico e uma situação social tão bem

contextualizados, com humor e acidez crítica.

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